Every Fucking Space Between Novels…

Every fucking space between Novels and SS

by

Preston Kullingher

 

This is killing me, the fucking anxiety. I know that I need to write but nothing interesting comes to mind. Fuck nothing comes to mind lately. I’m not sleeping for some, I don’t know, two days, I guess. I need to masturbate. No, I need inspiration. I have not written any crap in the last few months. I’m a failure, the worst, damn, ragged, smelly, son of a bitch. I should have been an actor. No, no, I should have been born good at something. I need money. I mean, I don’t need so much money, you know? Just a little, to buy food, drink, self-love, these shits. I need to write, that’s it. Feel the lightheartedness of a good short history or the paranoid spiral of a fucking novel. It’s better than a fuck when it’s over. It gives more pride. The beginning is bad in all ways, in every sense, badly made preliminaries; It makes you almost give up starting. What I want to say is that what I would like to do was to mend a short history in the other, you know? A great novel and then a better one. It is. All the fucking space between the novels and the SS fucking me. I need a woman. A good, unknown woman at the bar, beers, conversations, casual sex. I need to be in the game, I need this to feel alive and then to write. The conquering conquest.

It is. I have to leave. Winning the night, breathing in the cool and dirty air of late autumn night, harbinger of bad days to come with the November rains, as Guns says. We need to be positive, news reports, but in times like these it’s hard to look at the horizon and glimpse a rainbow. By the way, I’ve seen a lot of rainbow lately from the LGBT movements wanting to get their space in this dog world. Good luck to them.

The streets of LA are empty, no soul wandering around, just me. The bars must be empty too, weekday, everyone works except the indigent and the writers. I mean, I work writing my shit. Sometimes it’s pretty hard, weeks to find a single good phrase in the tangle of the mind. In others everything flows naturally. I walk into the bar and take that panoramic view. I see a real woman sitting by the balcony alone, and you know what I mean when I say REAL; It is not these snobbish, vulgar, and futile nowadays who can not keep up a five-minute conversation without taking their eyes off the goddamn cell phone some three hundred times. You know one by how you sit and look. Legs crossed, dressed at the right time neither sexy nor chaste, hair … Oh God! I love those curly hairs with a kind of cut or half-layered hairstyle with blonde tones. And the stare straight ahead when you take a good dose of your drink, seductive, powerful and at the same time as her look away from me and the door is light, inviting. It’s this mix that makes me crazy. When she sees me at the door, she lowers her head and smiles. Got it.

I think a good short or the seed of a novel will come up tomorrow morning, or maybe even in the middle of the night. Start the game.

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Women

Interesting women¹ are scarce
Stupid women
various
Stupid and hot women
Thousands
Interesting and hot women is lottery
Women who don’t talk silly and just think about gym, selfies and bad music parties are rare
Interesting women who don’t suck on politics, economics and other bullshits and go to gym too
few
Hot sexy women that are not psychologically disturbed
with neuroses and other mentally unstable things
Please, introduce me
Women who don’t think fat
there is not
Women who don’t care about hair
neither
Women who don’t ask for money a husband, even though they are rich, I don’t know
I never had sex with any interesting woman.
Or hot
Or even a stupid that tell me bullshit about politics
At bad music parties
And goes to gym daily
And that didn’t beat me in moments of complete uncontrolled, drunken fury
Asking me for money to buy cigarettes
and other drugs that I don’t use more
because I started to worry about my health
my weight, my hair
I want to look good in selfies.
To the point of leaving me very psychologically upset
Mentally unstable
About my masculinity

_____________________________________________________________

  1. Bukowiski. For introducing me about female psychology before masturbation.

 

 

Todo o espaço entre os Romances e os Contos

Todo o espaço entre os romances e os contos

por

Preston Kullingher

 

Isto está me matando, a maldita ansiedade. Eu sei que preciso escrever mas nada de interessante me vem a mente. Porra nenhuma me vem a mente ultimamente. Estou sem dormir a uns, sei lá, dois dias, acho. Preciso me masturbar. Não, preciso de inspiração. Não tenho escrito porcaria nenhuma nos últimos meses. Sou um fracasso, um fracassado, maldito, maltrapilho, fedorento, filho da puta. Deveria ter sido ator. Não, não, eu deveria ter nascido bom em alguma coisa que valha. Preciso de grana. Quer dizer, não preciso de muuuuita grana entende? Só um pouco, pra comprar comida, bebida, amor próprio, essas coisas. Eu preciso escrever, é isso. Sentir o tesão ligeiro de um bom conto ou a espiral paranóica de um romance do caralho. É melhor que uma trepada, quando termina. Dá mais orgulho. O começo é ruim de todas as formas, em todos os sentidos, preliminares mal feitas; te faz quase desistir de começar. O que eu quero dizer é que o que eu gostaria de fazer era de emendar um conto no outro sabe? Um grande romance e logo em seguida um melhor. É  isso. Todo o maldito espaço entre os romances e os contos me deixam fudido. Preciso de uma mulher. Uma boa mulher desconhecida no bar, cervejas, conversas, sexo casual. Preciso estar no jogo, preciso disso pra me sentir vivo e então escrever. A conquista que vicia.

É isso. Tenho que sair. Ganhar o mundo, respirar o ar frio e sujo da noite de um final de outono, prenúncio de dias ruins que virão com as chuvas de Novembro, como na música do Guns. Precisamos ser positivos, dizem os jornais, mas em tempos como esse é difícil olhar para o horizonte e vislumbrar um arco íris. Aliás, tenho visto bastante arco íris ultimamente dos movimentos dos gays e afins querendo galgar seu espaço nesse mundo cão. Boa sorte pra eles.

As ruas de L.A estão vazias, nenhuma alma vagando por ai, apenas eu. Os bares devem estar vazios também, dia de semana, todos trabalham, exceto os indigentes e os escritores. Quer dizer, eu trabalho escrevendo minhas merdas. As vezes é bem duro, semanas para encontrar uma única frase boa no emaranhado da mente. Em outras tudo flui naturalmente. Entro no bar e dou aquela velha panorâmica. Vejo uma mulher de verdade sentada ao balcão sozinha, e você sabe o que eu quero dizer quando digo DE VERDADE; não são essas esnobes e vulgares e fúteis de hoje em dia que não conseguem manter uma conversa de cinco minutos sem tirar os olhos do maldito celular umas trezentas vezes. Você conhece uma só pela forma de sentar e olhar. Pernas cruzadas, vestido na altura certa nem sexy, nem casta, os cabelos… Ah Deus! Adoro esses cabelos ondulados com um tipo de corte ou penteado meio caído em camadas com uns tons de loiro. E o olhar pra frente, fixo e direto quando toma uma boa dose de seu drink, sedutor, poderoso e ao mesmo tempo em que desvia o olhar para porta e para mim é leve, convidativo. É essa mistura que me faz pirar. Quando ela me vê na porta abaixa a cabeça e sorri. Entendi.

Acho que um bom conto ou a semente de um romance irá surgir amanhã de manhã, ou quem sabe ainda na madrugada. Começa o jogo.

Mulheres

Mulheres¹ interessantes são escassas

Mulheres estúpidas

várias

Mulheres estúpidas e gostosas

milhares

Mulheres interessantes e gostosas é loteria

Mulheres que não falem bobagens e só pensem em academia, selfies e festas com música ruim são raras

Mulheres interessantes que não encham o saco falando sobre politica, economia e outras bobagens e que também malhem

poucas

Mulheres gostosas-interessantes

que não sejam perturbadas psicologicamente

com neuroses e outras coisas mentalmente instáveis

por favor me apresentem.

Mulheres que não se achem gordas

não tem

Mulheres que não se preocupem com cabelo

também não

Mulheres que não peçam um níquel sequer ao marido, mesmo sendo ricas, desconheço

Nunca transei com nenhuma mulher interessante

ou gostosa

ou  até mesmo uma estúpida

que me fale bobagens a respeito de política

em festas de música ruim

e que malhe diariamente

e que não me batesse em momentos de completa fúria descontrolada, embriagada

me pedindo dinheiro para comprar cigarros

e outras drogas que procuro não mais usar

comecei a me preocupar mais com a minha saúde

meu peso, meus cabelos

quero ficar bem nas selfies

a ponto disso me deixar muito transtornado psicologicamente

Mentalmente instável

sobre minha masculinidade

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  1. Bukowiski, por me apresentar ao universo psicológico feminino antes da masturbação.

Boning

 

Boning

by

Preston Kullingher

 

It was almost ten at night.

 

Hey fellas, where are you?

– We’re coming.

– It’s almost ten o’clock now …

– Are you going to sweep there? We’re going too early.

– Bullshit! I want to see that band… I guess they’re going to be second.

– And you’re going to listen to the band?

– Well, not really. But you know it’s better drink listening to good music.

– I’m going to get very crazy.

– Me too, me too. I want to swill down. But, who else come with you?

– [Laughing] You will not even believe it.

– Who?

– When you see the figure, you will laugh.

– [Laughs] Hey, are the boys really coming?

– No. None. I called to AlphaFox, he said he can’t. I called to FrogFace, he’s out of cash. I called Phantom he said he was going to after  work …

– The Phantom always blew. Can’t trust him.

– I know, i know.

– Hey, but who’s coming with you? I’m curious.

– Man, I was going on the way home, getting ready to go, when I saw him and then he said that he was going too and I took advantage and called him to come with me because I don’t like to take a bus alone.

– Hey, but you already bought the drink?

– I’m taking a bottle.

– I also bought a bottle. And the refri?

– We buy in there.

– Fuck! Two bottles, we’re going to get very crazy.

– That’s the intention. Today I want to get very crazy. I’m going to drunk today.

– [Laughing] Hey, but tell me who’s coming with you …

– Man … the TacTara.

– Who?

– The Tactara.

– The Tactara?

– Yeah!.

– [Laughing a lot] Fuck, I can’t believe it. Unearthed.

– Yeah. Himself, unearthed. They almost didn’t let us go up, thinking we were going to steal the bus.

– I guess. [lol]

– The worst thing is that the Tactara is in the shirt of the soccer team it seems until it is going to the stadium.

– [Lol] Oh comedy.

– Hey, we’re coming. Switch off here.

– Nice

 

They arrived. They got off the bus holding the grocery shopping bag with the bottle inside. The people in the windows of the bus looked at them both with disgust, some internally thanking God that they had not stolen anyone. They were not really thieves, just looked.

The other waited at the entrance to the concert hall. He smoked a cigarette against the wall, the bottle at his feet.

 
What’s up?

– What’s up bro? [Laughing] Hey there Tactara?

 

Tactara

Hey there bro – speak it very, very slow, like a stoned – All in peace?

 

– Hey, dude [laughing] puts that bottle in the bag. It’s burning movie to be showing so …

– I don’t mind. Hey, I’m going to buy the soda that I’m ready to start the job right now .

– Let’s go. Me too.

 

 

There is a little market in front of the concert hall and them bought a bottle of soda orange flavor. Then they went back to the front of the concert hall. Since they couldn’t enter the show with alcohol, they stood directly in front of the entrance gate drinking and watching the people arriving for the show. There were many couples, many singles like them, and many single girls. A few beautiful, many ugly and dozens far worse than ugly. It was a poor party that later the police were sure to make a hit there to solve some problem or to arrest some small drug dealer who was there enjoying.

After a couple of hours outside drinking, talking, taking selfies and talking jokes to the few beautiful girls who entered the party:
It’s almost midnight. The first band is over. Let’s go in?

– Go Go. I’m already very crazy here.

– How about Tactara?

Tactara

For me, let’s go inside. I’m already very crazy, too.

-It’s done. Let’s just turn the last one to finish the bottle and then we’ll come in.

 

They toasted. Each one turned his glass, full to the brim. They made the ugly face because that no more soda so the dose was almost pure.

They were inspected up and down and nothing was found. Get in, Happy.

It’s crowded. I don’t thought there were so many people.

– Yeah. Outside we didn’t even see so many people coming in like that.

– I see everything half-bent already.

– Hey, I’m gonna get that chubby over there. I think she’s looking at me.

– Who?

– There. In blue. On side that fat girl in white

– I don’t see anything. Oh yes! Those two over there. Both are fat. You will arrive in which?

– I’ll get the blue one. The least chubby. She has a pretty face. The other one is very fat.

– Ok, ok. You can go there and I’ll stay here with the Tactara.

– Let’s go with me! It’s easier for me to get the blue one. You just keep small talk to the fat.

 

– No, no. Have faith that will work. I’m going to stay right here.

 

The 02 staggered toward the two girls who were startled by his arrival. The fatter one kept pulling her friend so that they leave. But as he was good at chatting, the little chubby girl chatted, and shortly afterwards they were kissing.

When the 02 looked up to catch his breath, he saw the 01 with the fat one, the one in white, kissing them madly. She, in her most powerful bearing, hid him in a hug. In fact, whoever was behind her could’nt see him. Tactara was still standing there looking at the crowd, sometimes crossed his arms, others he put his hands in the pockets. He was a nice guy. But not waver with him.

After they kissing girls, both won the salon. They dispersed in the crowd. The drink was already in effect. They danced, they kissing other girls, they enjoyed. Finally, the 02 met with Tactara. It was about three in the morning and many people were gone.

 
– Hey bro! Saw you a 01?.

Tactara

Nope.

It’s late. Sooner will be dangerous for us to go home. Let’s get out

 

Tactara

We gonna 01 to come back. Let’s not left him on fire.

Ok. I’ll give it a round, see if I find it.

 

After a while 02 came back.
Hey, Tactara, I found him. He’s sitting against the wall sleeping near the baths. I tried to wake him, but nothing.

 

The two arrived at the place where 01 was. He was greatly altered by the effect of alcohol so that he couldn’t speak properly nor stand. The two friends talked to him but he just babbled nonsense words. Something close to an alcoholic coma.

 
Hey, Tactara, We can’t leave him here, or someones win him.

Tactara

Yeah.

 

One took the arms, the other by the legs and left towing it like a freshly slaughtered piglet. Outside, at the bus stop they were able to get him to his feet, with one on each side propping up so he didn’t lean to one side.

 

Tactara

It looks like that old movie from the dead man.

 

– Weekend at Bernie´s

 
They both laughed. The bus arrived and it was that burst of cattle. People stomped in, some pushing the others, the girls complaining, the guys with the wallets hidden inside their pants and the two in the middle of it all trying to lift the Bernie’s dead man into the bus. A general madness. The door closed and people squeezed in the back. The scent of sweat and cheap perfumes poured into the air. Suddenly someones fart. The girls, as they always complained. A guy with weird haircut yelled at the driver in the front, something like he was carrying people, not shit bags. Everyone laughed. The driver drove like crazy, it was the last ride of the night and he wanted to get to the end of the line because the company staff was playing dice. Inside bus, 02 left the dead weight of 01 there and was already made out with another girl, more cute, with blond hair. The bus was emptying, the blond-haired girl came down and only the three remained inside the collective. 02 was talking to Tactara about the things that had come down at the party. They reached the end of the line.

 

Hey, Tactara, would you can take him to his house, it’s closer to yours than mine.

 

Tactara

Will you left the dead weight all to me, smart

– You’re better than me. Help me, brother.

Tactara

– Ok. I’ll do it.

 

– Thanks  bro.

 

Tactara

– Peace.

 

Day after.

 

 

Hey man, thanks, who has you as friends does not need enemies.

– Are you insane? I found you on the floor sitting near the baths looked like a beggar. Tactara and me carry you to the bus stop. We had the hard work to putting you inside the bus that was the gang bang

 

– You let the thieves win me. They took the little bit of money that I had, my sneakers, and my belt, which I had bought the day before yesterday.

 

– Bullshit! I saw you with the sneakrs when I got off the bus.

 

– They won me. The sneakers I don’t even pity because it was already worn, but the belt was brand new.

 

– Tactara was the one who left you at home …

– What? Are you crazy? You left the Tactara alone to leave me at home?

I left. I was very tired. Oh man! Did Tactara hold you, huh? [Laughing]

He’s a  fella, but you know his fame.

 

– [lol] Grows, the Tactara really boned you ...

 

Days later Tactara walk on the neibourhood streets with a new belt, according to the own, bought in the fair.

Desossando

Desossando

por

Preston Kullingher

 

Já eram quase 10h da noite.

– Ei caras, cadê vocês?

– Nós já estamos chegando.

– Já são quase dez horas…

– Você ta indo varrer lá? A gente ta indo muito cedo.

– Cedo nada. Eu quero ver aquela banda…. Parece que ela vai ser a segunda.

– E tu ta indo pra ouvir a banda?

– Bom, na verdade não. Mas é melhor beber ouvindo uma musica boa.

– Eu to indo pra encher a cara.

– Eu também, eu também. Quero tomar todas hoje. Tá vindo tu e quem mais?

– [rindo] Tu não vai acreditar.

– Quem?

– Quando você ver a figura, garanto que vai rir.

– [risos] Ei a galera vai vir mesmo?

– Não. Nenhum deles. Eu liguei pro Raposa, ele disse que não dava pra ele. Liguei pro Cara de Sapo, tá sem grana total. Liguei pro Fantasmão ele disse que ia quando saísse do trabalho…

– O Fantasmão sempre fura. Não dá pra confiar nele.

– É.

– Ei, mas quem é que ta vindo contigo? Tu foi falar, agora fiquei com vontade de saber.

– Cara, eu tava indo no caminho de casa, tomar um banho e me vestir pra ir. Ví ele  e falei, daí ele disse que ia também e eu aproveitei e chamei  pra vir comigo porque eu não gosto de pegar ônibus só.

– Ei, mas tu já comprou a bebida?

– Eu tô levando um litro.

– Eu também comprei um litro. E o refri?

– A gente compra ai mesmo.

– Caralho! Dois litros, a gente vai ficar muito doido.

– A intenção é essa. Hoje eu quero ficar muito doido.

– [rindo] Ei, mas diz ai quem ta vindo contigo…

– Cara… o TacTara.

– Quem?

– O Tactara.

– O Tactara?

-É.

– [rindo muito]Caralho véio, não acredito. Dessenterou.

– É. É. Ele mesmo, desenterrado. Comédia aqui no ônibus. Quase não deixam a gente subir pensando que a gente ia era roubar o ônibus.

– Imagino.

– O pior é que o Tactara tá com a camisa do (time de futebol) parece até que tá indo pro estádio.

– kkkkkk. Oh comédia.

– Ei, a gente já ta chegando. Desligar aqui.

– Beleza.

 

Chegaram. Desceram do ônibus segurando o saco de compras do supermercado com o litro dentro. As pessoas nas janelas do ônibus olhavam para os dois com cara de nojo, umas internamente agradeciam a Deus por eles não terem roubado ninguém. Na verdade não eram ladrões, apenas pareciam.

O outro esperava na entrada da casa de shows. Fumava um cigarro encostado no muro, o litro no seus pés.

– E ai?

– E ai? Beleza mano? E ai Tactara?[rindo]

Tactara

– E ai meu brother. Tudo na paz?

– Ei cara[rindo]coloca esse litro no saco. Queima nosso filme ficar mostrando assim...

– Eu não tô nem ai. Ei, vamo logo comprar o refri que eu tô afim de começar os trabalhos.

– Bora, bora. Eu também tô.

Foram os três em um mercadinho em frente a casa de shows e compraram um litro de refrigerante sabor laranja. Depois voltaram para a frente da casa de shows. Como não podia entrar no show com bebida alcoólica, ficaram exatamente na frente do portão de entrada bebendo e olhando as pessoas que chegavam para o show. Havia muitos casais, muitos solteiros iguais a eles e também muitas meninas solteiras. Umas poucas bonitas, muitas feias e dezenas muito pior que feias. Era festa de pobre que mais tarde com certeza a polícia iria fazer uma batida por lá pra resolver algum problema ou pra prender algum traficante peixe pequeno que estava lá curtindo, dando bobeira.

Depois de umas duas horas do lado de fora bebendo, conversando, tirando selfies e falando gracejos para as poucas bonitas que adentravam a festa:

 

– Já são quase meia noite. A primeira banda acabou. Vamo entrar?

– Vamo, vamo. Eu já tô muito doido aqui.

– E ai Tactara?

Tactara

– Por mim, vamo entrar. Eu já tô muito doido também.

– Pois fechou. Vamo só virar a última pra terminar o litro e ai a gente entra.

Brindaram. Viraram cada um o seu copo, cheio até a borda. Fizeram cara feia pois o refri já não tinha mais, então a dose saiu quase pura.

Foram revistados até os cabelos e depois de nada encontrado, entraram. Felizes.

– Tá lotado. Não pensei que tivesse tanta gente.

– É mesmo. E lá fora a gente nem viu tanta gente entrando assim.

– Eu já tô vendo tudo meio dobrado.

– Ei, eu vou chegar naquela gordinha ali. Acho que ela tá olhando pra mim.

– Quem?

– Aquela ali, de azul. Do lado daquela gordona de branco.

– Eu não tô vendo nada. Ah, sim. Aquelas duas ali. As duas são gordas. Tu vai chegar em qual?

– Eu vou chegar na de azul, menos gordinha. Ela tem o rosto bonito. A outra é muito gordona.

– Beleza, beleza. Pode ir lá que eu vou ficar aqui com o Tactara.

– Vamo comigo! Fica mais fácil pra eu conseguir a de azul. Qualquer coisa tu fica só conversando com a gordona.

– Não, não, pode ir. Tenha fé que vai dar certo. Eu vou ficar por aqui mesmo.

O outro saiu cambaleante na direção das duas meninas que se assustaram com a chegada dele. A mais gorda ficava puxando a amiga para que elas duas saíssem. Mas como ele era bom de papo, a gordinha de azul ficou conversando e, pouco depois, estavam se beijando.

Quando o primeiro levantou a vista para tomar fôlego viu o amigo atracado com a mais gorda, a de branco, beijando-se loucamente. Ela, por seu porte mais avantajado, escondia-o num abraço. De fato que, quem estivesse por trás dela não conseguiria vê-lo. Tactara continuava lá parado olhando a multidão, ora cruzava os braços, ora colocava as mãos nos bolsos da bermuda. Era um cara legal. Apenas não podia vacilar com ele.

Depois de ficarem com as meninas os dois ganharam o salão. Se dispersaram na multidão. A bebida já fazia efeito. Dançaram, ficaram com outras meninas, fizeram presepadas, se divertiram. Por fim, o segundo encontrou-se com Tactara. Eram umas 3h da manhã e muitas pessoas já haviam ido embora.

– Ei Tactara tu viu o 01.

Tactara

– Vi não.

– Já ta tarde. Daqui a pouco vai ficar perigoso pra gente voltar pra casa. Vamo sair fora.

Tactara

– Soh. Espera só ele voltar. Pra gente não deixar ele no fuguete.

– Beleza. Eu vou dar uma circulada vê se eu acho ele.

 

Depois de um tempo 02 voltou.

– Ei Tactara eu encontrei ele. Tá sentado encostado no muro perto dos banheiros dormindo.

Tactara

– Bodou.

– Certeza. Eu tentei acordar ele, mas nada.

 

Os dois chegaram ao local onde o primeiro se encontrava. Estava muito alterado pelo efeito do álcool de maneira que não conseguia falar direito, nem ficar de pé. Os dois amigos falavam com ele mas ele apenas balbuciava palavras sem sentido. Algo próximo de um coma alcoólico.

– Ei Tactara bora levar ele. A gente não pode deixar ele aqui senão vão ganhar ele.

Tactara

– Soh.

Um pegou pelos braços, o outro pelas pernas e saíram rebocando ele como um leitão recém abatido. Já do lado de fora, na parada de ônibus conseguiram deixá-lo em pé, com um de cada lado escorando para ele não pender para um dos lados.

Tactara

– Tá parecendo aquele filme do morto.

– Um morto muito louco.

 

Ambos riram. O ônibus chegou e foi aquele estouro de boiada. As pessoas se pisoteavam para entrar, umas empurrando as outras, as meninas reclamavam, os caras escondiam as carteiras dentro das calças e, os dois no meio disso tudo, tentando erguer o morto muito louco para dentro do ônibus. Uma loucura geral. A porta se fechou e as pessoas espremidas na parte de trás. O cheiro de suor e perfumes baratos empestava o ar. De repente, peidaram. As meninas, como sempre, reclamaram. Uns  moleques gritavam ofensas para o motorista lá na frente, algo como ele estar transportando pessoas e não sacos de merda. Todos riam. O motorista dirigia como um louco, era a última viagem da noite e ele queria  chegar ao final da linha pois o pessoal da empresa estava jogando dados apostados. Dentro do ônibus 02 havia deixado o peso morto do 01 pra lá e já estava ficando com outra menina, mais bonitinha, de cabelos louros. O ônibus foi esvaziando, a menina de cabelos louros desceu e só ficaram os três dentro do coletivo. 02 conversava com Tactara sobre as coisas que haviam rolado na festa. Chegaram ao fim da linha.

– Ei Tactara tu pode levar ele até a casa dele, fica mais perto da tua do que da minha.

Tactara

– Tu deixou o peso morto todo pra mim né, esperto?

– Tu ta melhor do que eu Tactara, faz esse favor, irmão.

Tactara

– Beleza. Vou fazer na moral.

– Valeu parceiro! Você é um cara limpeza.

Tactara

– Soh.

No outro dia.

– Ei cara, valeu pela condideração.  Quem tem vocês como amigos não precisa de inimigos.

– Tá ficando doido? Eu te encontrei no chão sentado perto dos banheiros parecia um mendigo. Eu e o Tactara te carregamos até a parada. Depois tivemos o maior trabalho de te colocar dentro do ônibus que tava a maior putaria…

– Vocês deixaram os caras me ganhar. Levaram o restinho de grana que tinha na minha carteira, meu tênis e meu cinto, bem novinho que eu tinha comprado anteontem.

– Conversa? Eu vi tu de tênis na hora que eu desci do ônibus.

– Me ganharam. O tênis eu nem faço questão porque já tava gasto, mas o cinto tava novinho.

– O Tactara foi quem te deixou em casa…

– Tu ta ficando doido? Tu deixou o Tactara sozinho ir me deixar em casa?

– Deixei. Eu tava cansadão. Caraca, será que o Tactara te aguentou hein? [rindo]

– Ele é gente boa, limpeza mesmo, mas tu sabe a fama dele.

– [rindo muito] Caraca véio, o Tactara desossou mesmo…

Dias depois o Tactara desfilava com um cinto novo, segundo o próprio, comprado na feira.

 

A árvore e o céu

 

 

As folhas verdes da árvore

o céu azul

quatro paredes

ela na cama

eu na cadeira

pela janela as folhas balançavam sedutoramente

os pássaros cantavam

eu escrevia um poema

ou quase isso

o vento soprando

maravilhosamente

o azul era muito azul

nunca vi mais bonito

e o verde muito verde

pela película da janela

tudo tão quieto

o [mundo] em paz

Eu não precisava

de mais nada

já havia encontrado