Todo o espaço entre os Romances e os Contos

Todo o espaço entre os romances e os contos

por

Preston Kullingher

 

Isto está me matando, a maldita ansiedade. Eu sei que preciso escrever mas nada de interessante me vem a mente. Porra nenhuma me vem a mente ultimamente. Estou sem dormir a uns, sei lá, dois dias, acho. Preciso me masturbar. Não, preciso de inspiração. Não tenho escrito porcaria nenhuma nos últimos meses. Sou um fracasso, um fracassado, maldito, maltrapilho, fedorento, filho da puta. Deveria ter sido ator. Não, não, eu deveria ter nascido bom em alguma coisa que valha. Preciso de grana. Quer dizer, não preciso de muuuuita grana entende? Só um pouco, pra comprar comida, bebida, amor próprio, essas coisas. Eu preciso escrever, é isso. Sentir o tesão ligeiro de um bom conto ou a espiral paranóica de um romance do caralho. É melhor que uma trepada, quando termina. Dá mais orgulho. O começo é ruim de todas as formas, em todos os sentidos, preliminares mal feitas; te faz quase desistir de começar. O que eu quero dizer é que o que eu gostaria de fazer era de emendar um conto no outro sabe? Um grande romance e logo em seguida um melhor. É  isso. Todo o maldito espaço entre os romances e os contos me deixam fudido. Preciso de uma mulher. Uma boa mulher desconhecida no bar, cervejas, conversas, sexo casual. Preciso estar no jogo, preciso disso pra me sentir vivo e então escrever. A conquista que vicia.

É isso. Tenho que sair. Ganhar o mundo, respirar o ar frio e sujo da noite de um final de outono, prenúncio de dias ruins que virão com as chuvas de Novembro, como na música do Guns. Precisamos ser positivos, dizem os jornais, mas em tempos como esse é difícil olhar para o horizonte e vislumbrar um arco íris. Aliás, tenho visto bastante arco íris ultimamente dos movimentos dos gays e afins querendo galgar seu espaço nesse mundo cão. Boa sorte pra eles.

As ruas de L.A estão vazias, nenhuma alma vagando por ai, apenas eu. Os bares devem estar vazios também, dia de semana, todos trabalham, exceto os indigentes e os escritores. Quer dizer, eu trabalho escrevendo minhas merdas. As vezes é bem duro, semanas para encontrar uma única frase boa no emaranhado da mente. Em outras tudo flui naturalmente. Entro no bar e dou aquela velha panorâmica. Vejo uma mulher de verdade sentada ao balcão sozinha, e você sabe o que eu quero dizer quando digo DE VERDADE; não são essas esnobes e vulgares e fúteis de hoje em dia que não conseguem manter uma conversa de cinco minutos sem tirar os olhos do maldito celular umas trezentas vezes. Você conhece uma só pela forma de sentar e olhar. Pernas cruzadas, vestido na altura certa nem sexy, nem casta, os cabelos… Ah Deus! Adoro esses cabelos ondulados com um tipo de corte ou penteado meio caído em camadas com uns tons de loiro. E o olhar pra frente, fixo e direto quando toma uma boa dose de seu drink, sedutor, poderoso e ao mesmo tempo em que desvia o olhar para porta e para mim é leve, convidativo. É essa mistura que me faz pirar. Quando ela me vê na porta abaixa a cabeça e sorri. Entendi.

Acho que um bom conto ou a semente de um romance irá surgir amanhã de manhã, ou quem sabe ainda na madrugada. Começa o jogo.

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