Encontro às cegas

Encontro às cegas

Preston Kullingher

 

Havíamos marcado às 20h. Eram 20:15min e eu ainda não havia chegado ao local. Estava um pouco nervoso. Nervoso e ansioso. Será que ela era tudo aquilo mesmo? Pelas poucas fotos que tinha, parecia ser. Cabelos lisos, louros, desses que tem um desenho bem bonito, lábios carnudos, bunda grande… O rosto é  que ainda nao havia visto bem, mas com o que tinha em mãos podia me considerar plenamente satisfeito. Não vou negar que quando perguntei com qual roupa iria e logo depois aparece uma foto de uma deusa em um vestido preto curto, meu pau quase rasga a cueca. Segurei para não gozar ali mesmo e estragar a noite. Tinha que guardar os fluídos corporais para mais tarde, a hora da queima de fogos.

Entrei no bar e dei uma panorâmica, estava cheio. Haviam várias loiras, morenas, ruivas, vestidos curtos, pernas grossas por todos os lados. Meu Deus! com certeza viria nesse bar mais vezes. Olhei bem e vi uma loira sentada sozinha, no canto. Estava de costas para mim mas estava de preto então deduzi ser ela, uma mulher daquelas não ficaria sozinha em um bar nem por dois segundos que logo encostaria algum marmanjo com uma conversa mole. Fui ao seu encontro e percebi que todos que passavam por ela não conseguiam desviar o olhar, era hipnotizante. Nesse curto trajeto me senti O CARA, o Sr Fodão, todos os panacas passando, olhando, mas quem iria sentar ali, conversar, dar boas risadas e depois levá-la para cama seria EU, EU, E APENAS EU. Caminhei até mais rápido, com umas passadas largas, confiante, radiante, uma felicidade pueril, queria chegar logo ao paraíso.
Só que havia um pouco de merda nesse paraíso.
Quando me encontrei ao seu lado e curvei a cabeça chamando-a e, no que ela se virou para mim, tomei um susto. Aquilo me desconcertou, tentei disfarçar mas não sei se funcionou. Ela me deu um “Oi” e um sorriso brando, eu apenas dei um sorriso amarelo e desviei logo o olhar para o seu decote, aliás aquilo seria uma tática repetida muitas vezes naquela noite. A questão é que ela tinha um certo tipo de desvio ocular. Meio vesga. Vesga não, o termo certo… Estrábica. Isso, ela tinha estrabismo. Só que em alto grau. Os dois olhos olhavam para o nariz de uma forma horrenda. Era um pouco assustador, me causava uma sensação ruim, um desconforto. A coitada sabia disso e evitava a todo custo um contato visual. Mas era impossível. Como duas pessoas iriam conversar sem se olhar diretamente nos olhos? Bem, eu já estava ali então… Pedi de imediato uma cerveja e perguntei se bebia, meio tímida disse que estava evitando, coisas de mulher (entenda pneuzinhos, celulites, estrias). Continuei puxando assunto para deixá-la a vontade e ela mantendo o olhar baixo, mas de vez em quando ela me encarava e eu desviava o olhar. Era demais pra mim. Eu tentava a todo custo não olhar, mas havia algo que me impelia a olhar para os olhos, algo meio doentio. Acredito que ela percebeu isso. Procurava olhar o celular, o que eu detestava, mas abri uma exceção por que nesse caso era plenamente aceitável. Se ela não olhasse o maldito celular iria olhar para onde? Mim? Sem chance. O pouco diálogo que não fluía naturalmente entre nós me fez pensar em coisas absurdas nos segundos entre uma conversinha e outra. Será que era hereditário? Aquilo passaria para a próxima geração perpetuando a maldição? Será que ela procurou algum procedimento cirúrgico para torná-los normais? Provavelmente sim. Será que quando ela iria beber água, ou café ou mesmo fazer um boquete ela acertaria de primeira? Esse tipo de coisa que sai de uma mente masculina pervertida. Bom, eu não iria deixar um par de olhos tortos estragarem a minha noite e, ela era gostosa demais então deixei a conversa mole para uma outra ocasião, outra vítima, e saímos de lá direto para um motel. Levei-a a um motel por uma questão muito simples: ela morava com os pais e eu não queria ensiná-la o caminho de minha casa para evitar problemas de liberdade, a qual eu prezava muito.

Ela era quente. Assim que entramos foi ela quem me agarrou e começou a tirar minha roupa e eu levantei seu vestido apalpando aquelas coxas maravilhosas, ela beijava bem e também dava mordidas que me deixavam com ainda mais vontade de entrar nela com tudo. No momento da ação até me esqueci do seu problema visual,  ela ficava quase todo momento de olhos fechados. Era boa nisso, mesmo de olhos fechados não errava nenhuma vez o que queria acertar. Quando ela, infelizmente, os abria eu olhava por sobre seus ombros e o meu “amigo” abaixava um pouco a pressão mas nada com que eu me preocupasse. O doggystyle foi uma beleza! Surreal! Era realmente grande e toda durinha. Na hora do “papai e mamãe” foi que o bicho pegou. Ela não queria fechar os olhos e queria me forçar a olhar pra ela, bem dentro dos seus olhos – como se fosse possível – e eu fingia não escutar (acho que era um tipo de fetiche. Coisas de seres humanos), e ela continuava dizendo – Olha pra mim, Olha pra mim seu puto! – e então cravava suas unhas de águia em minhas costas me fazendo contorcer de dor, uivar como um lobo no cio. Em um dado momento não aguentei, aliviei um pouco a pressão das bombadas e então vi minha camisa branca, que costumo usar por dentro do blazer quando quero parecer cool, o Tio Sam apontando pra mim. Entendi aquilo como um sinal, me chamando a cumprir minha missão. Então a peguei e a coloquei bem na cara dela, quase a sufocando e bombei forte mais algumas vezes jorrando todo meu néctar, minha essência. Fiz aquilo não só pelo sexo ou por mim mas por todos os cidadãos de bem que vivem nessa cidade, nesse país, por amor à pátria. O chamado veio e eu atendi prontamente, cumprindo minha missão. Era um americano de verdade.

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